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  • Jéssica Freitas

Resenha: Jovens de Elite - Marie Lu

Atualizado: 1 de Nov de 2019


Sinopse: Uma febre misteriosa deixou sequelas permanentes em toda uma população de jovens. Chamados de malfettos, alguns deles desenvolvem poderes especiais – controlam vento, fogo e até humanos – e se unem em sociedades secretas. Para alguns, esses Jovens de Elite são heróis que salvam inocentes em situações desesperadoras. Para a Inquisição, os sobreviventes da praga são monstros marcados com poderes demoníacos e devem ser levados à justiça. Para Adelina, expulsa de casa após a doença, significa finalmente ter encontrado seu lugar no mundo. Mas ela logo percebe que não é uma heroína, que seus poderes são alimentados por medo e ódio e podem acabar trazendo uma era de pânico a esse mundo onde política e magia se chocam de maneiras surpreendentes... e aterrorizantes.

Editora: Rocco Jovens Leitores

Nota: 4/5

Páginas: 344

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♥ RESENHA ♥

Jovens de Elite, o primeiro livro da trilogia homônima de Marie Lu, é uma distopia para lá de interessante que se passa no período medieval, logo após o fim de uma praga horrível, responsável por deixar muitos mortos e uns quantos mais marcados pela doença para sempre — e por “marcados” quero dizer olhos e cabelos de cores diferentes, visíveis manchas na pele, e todo tipo de coisa nessa linha.


Muitos destes jovens — chamados de malfettos — também receberam outra coisa junto às suas marcas de sobrevivência: poderes especiais, e por isso são vistos como aberrações por grande parte da população. Há até uma crença popular de que os malfettos trazem má sorte — o que se torna um modo de justificar todas as atrocidades que vemos acontecer à eles no decorrer da história.


A narrativa se passa na maior parte em primeira pessoa, através dos olhos da nossa protagonista, Adelina Amouteru, uma sobrevivente marcada pelos cabelos prateados e o olho roubado pela doença. E que protagonista, senhoras e senhores! A primeira coisa que quero falar sobre esse livro é o brilhante desenvolvimento da personagem principal.


Adelina sai completamente do estereótipo de adolescente boazinha que é obrigada a se jogar numa aventura a fim de salvar o mundo, se apaixonando pelo mocinho no caminho — não que o livro não seja uma aventura fantástica ou que não haja romance, mas aqui vem a parte interessante da narrativa: Adelina é apresentada mais como uma vilã do que como uma heroína, e o romance fica em segundo plano — coisas que pouco se vê na literatura hoje em dia.


Em meio a sociedade que rejeita os malfettos, há um grupo rebelde formado por Jovens de Elite (aqueles dotados de poderes especiais) que se opõe aos governantes do reino em busca de igualdade. São os membros deste grupo, conhecidos como Os Punhais, que acabam cruzando o caminho de Adelina em um momento de necessidade, e que então passam a treiná-la para usar seus poderes recém-descobertos a fim de que ela então se junte ao grupo.


Um ponto fraco ou o mais próximo disso que encontrei em Jovens de Elite foi os personagens secundários, que foram pouco explorados nesse primeiro livro, tornando um pouco mais difícil de se importar com a maioria deles. Os que recebem destaque para mim são Teren, o devotado antagonista que lidera a Inquisição (sim! Com direito à morte na fogueira e tudo!), Enzo e Raffaele, dois dos Punhais.


Raffaele é um personagem carismático e doce, mas o que achei interessante sobre ele é a sagacidade e o sofrimento que a autora disfarça sob essa aparência impecável, especialmente durante suas primeiras aparições. Enzo, o líder dos Punhais e interesse romântico de Adelina, acaba sendo o único vestígio clichê aqui; misterioso, reservado, admirado por muitos e aparentemente inalcançável. AH! E ele é o príncipe herdeiro do trono.


O livro todo tem um tom mais sombrio, e Marie Lu conseguiu abordar temas como discriminação, traição e violência no âmbito familiar com uma profundidade impressionante, sem perder a escrita fluída e o tom frenético que te faz querer virar a próxima página o mais rápido possível.


O enredo é completamente imprevisível, de verdade. Mais de uma vez tive certeza de que certo personagem iria fazer determinada coisa, e então a autora escolhia um caminho completamente diferente e me deixava cada vez mais surpresa e com mais vontade de descobrir o que viria a seguir.


Em suma: a trama é muito boa, bastante diferente de outros livros do gênero, recheada de reviravoltas e cenas de ação ótimas estrelando uma personagem principal fortíssima. A linguagem é simples, fluída, e é muito fácil devorar o livro todo em menos de uma semana se você quiser. Se estiver cansado dos clichês do gênero, Jovens de Elite pode ser um prato cheio para você.


Não se esqueça de marcar a sua página e vir me contar aqui nos comentários o que você achou do livro ♥

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