©2019 por marqueapagina. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Jéssica Freitas

Resenha: Uma Mulher No Escuro - Raphael Montes

Atualizado: 1 de Nov de 2019


Sinopse: Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro. Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?

Editora: Companhia das Letras

Nota: 3/5 ♥

Páginas: 256

Compre (e ainda apoie o blog ♥): Amazon



♥ RESENHA ♥


Aos 24 anos, Victoria Bravo ainda é influenciada pelos fantasmas de seu passado obscuro. Ela é a única testemunha do assassinato da própria família — ocorrido quando ela tinha apenas 4 anos de idade — e por isso carrega cicatrizes físicas e psicológicas que parecem impedi-la de socializar normalmente, o que é bastante compreensível. Essas cicatrizes estão prestes a ser reabertas — o assassino parece estar de volta, disposto a tudo para chegar à Victoria.


Ela tem contato com um número muito reduzido de pessoas: a tia-avó Emília, com quem ficou após a morte dos pais; seu atencioso psiquiatra, Dr. Max; um amigo de longa data com quem compartilha zero intimidade (sério, ela nem mesmo sabe o nome real dele e o chama pelo apelido, “Arroz”); e seu possível interesse romântico, um escritor chamado Georges, que conheceu na lanchonete onde trabalha. Desde o início do livro, fica bem claro que a pessoa que a está perseguindo só pode ser um dos três homens, e eu já comecei a criar teorias a partir daí. Felizmente, apesar de alguns pontos serem bem previsíveis, o autor conseguiu surpreender com o final. Duvido que alguém imaginou aquilo, gente.


É sempre mais difícil para um autor (a) escrever um protagonista do sexo oposto, mas achei que com Victoria, Raphael Montes se saiu bem o suficiente para uma primeira vez (apenas minha opinião). Ela é um tanto quanto irritante em diversos momentos e não consegui me importar verdadeiramente com ela mais para o final do livro, confesso, porém não por conta de ser uma mulher mal-retratada e sim por ter uma personalidade pouco interessante. Ainda assim, não é uma protagonista de todo ruim. Não atrapalha a leitura. Os demais personagens também não são lá muito promissores, difíceis de diferenciar. Eles não parecem ter uma voz própria (com exceção de Santiago), o que é um pouco chato, e se não fosse pela narrativa ágil e a curiosidade pelo final do conflito, que mantém um ritmo agradável, não sei se teria continuado a leitura.


Aliás, é uma leitura bem pesada, parando para pensar. Vi muitos temas aqui que não achei que veria. Tem abuso, violência (isso já se esperava), estupro, pedofilia, e até fanatismo religioso. Achei que muitos desses poderiam ter sido melhor abordados, enquanto outros foram usados de forma bastante inteligente.


Não é um livro ruim, não mesmo. Mas com certeza também não é o melhor do gênero no cenário nacional. Raphael Montes tem uma escrita muito gostosa de ler, do tipo que você devora sem nem perceber (eu li em mais ou menos dois dias), e é mais do que capaz de guiar o leitor por um caminho errôneo de propósito, criando uma trama dez vezes mais complexa do que o previsto.


O final foi inesperado, mas, embora todas as pontas soltas tenham sido devidamente amarradas, me incomodou o modo como o desfecho se deu de forma apressada e sem muita profundidade. Senti que foi muita informação jogada de uma vez só. Ok que uma reviravolta é uma reviravolta, não dá para ficar detalhando muito para não estragar o ritmo, mas sério, esse final simplesmente saltou de uma coisa à outra em questão de parágrafos e, embora como um todo tenha sido um final inteligente, pareceu um pouco como “preciso acabar logo de uma vez, então é isso que vai ser”. Mas, até que foi um fim razoavelmente satisfatório, com as questões mais importantes resolvidas.


E você, gostou de "Uma Mulher No Escuro?" ♥

sobre
Mim